Aquele seu velho esboço de sorriso nas manhãs antes de ir ao trabalho. Um beijo rápido ao pular da cama. Sempre saindo atrasado, ainda amarrando o all star e abotoando a amarrotada camisa xadrez. Me liga no caminho para saber se o óculos escuros tinha ficado na cabeceira da cama. A estória se repetia cotidianamente, quase como um ritual. Sem querer, decorei sua rotina.
Sinto saudade do seu silêncio. Nós dois abraçados na cama por fazer,cada um focado em sua leitura e você, de vez em quando, interrompendo minha concentração com um beijo inesperado.
Sinto saudade das brigas bobas nos corredores das locadoras ou nas filas do cinema. Nós sempre discordando por causa da minha mania de ver filmes repetidos.
Aliás sempre fui assim. Gostava de ouvir o mesmo álbum a viagem toda. Comprava vários sapatos do mesmo modelo, apenas variando a cor. Sempre o mesmo restaurante em todos os aniversários. O mesmo pedido no Mc donalds. O mesmo sabor de pizza.
Talvez seja por isso que eu goste tanto de contar e recontar estórias. As mesmas estórias, de preferência as nossas.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Doce manhã de domingo
Era uma preguiçosa manhã de domingo, com aquele típico sol das nove horas. Um sol tímido, sugerindo um dia entediante para se passar esparramado em uma cama de lençóis sobrepostos. A fronha já na metade do travesseiro, os meus quase inseparáveis ursinhos de pelúcia - Sim,aqueles que guardo cuidadosamente desde a infância - .
Eu só precisava de algum motivo (nem precisava ser um motivo assim tão bom) pra me levantar. A monotonia daquela manhã me invadiu de uma maneira tão intensa,nem ao menos lembrava o que tinha para fazer. Uma estranha ansiedade esperando que o telefone não tocasse. Não queria ouvir ninguém, queria o acaso, o silêncio , uma pseudo paz. Mesmo que somente naqueles instantes.
Uma xícara de café na cabeceira e eu alternando meus movimentos entre degustar uns goles aleatoriamente , enquanto ouvia a minha própria voz na mente ao ler aquele livro que você tinha me dado. O relógio virado para a parede,com difícil acesso para que eu pudesse não me sentir tentada a olhar as horas. A última coisa que lembro é que era uma manhã de domingo,um domingo comum.
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Último encontro
Estávamos sentados frente a
frente, mas nossos olhares eram cabisbaixos beirando a timidez que vez ou outra
intercalava com o receio.
Era uma sala de espera de
consultório. Mas a espera que nos torturava era pior. As frases que ensaiava na
mente se contorciam na garganta e ficava por isso mesmo.
As vezes aquele silêncio era
interrompido por um estalar de dedos, uma antiga mania sua que tinha aprendido.
Uma delas.
Aquele ambiente demasiadamente
branco era o plano de fundo perfeito para nossa tensão. Nenhum quadro, nenhum
jarro com uma flor para eu enganar meu olhar, ou ao menos desviá-lo de vez
em quando.
Passei então a me concentrar na
minha respiração e cuidar para que ela não transparecesse o tamanho da minha
inquietude.
Você também estava tomado de
agonia, era notável pela forma que você tentava disfarçar tocando sua bateria
imaginária com as batidas da mão nas coxas e o acompanhar dos pés. Como se eu
não te conhecesse tão bem. Já haviam passado mais de cinco anos e eu continuava
com essa contraditória sensação : Você era um estranho. Um estranho que eu
conhecia como ninguém.
- Senhor Alex dos Santos?
Chamou enfim a recepcionista, quebrando o até aquele momento
inquebrável silêncio.
- Opa!
Você respondeu com um misto de prontidão e espanto enquanto
se levantava. Meus olhos, dessa vez não disfarçadamente, te acompanharam até
onde conseguiram. E essa foi a última imagem que tive sua até então.
Muitas
vezes lembro desse dia e novamente elaboro possíveis diálogos que poderíamos
ter tido. As vezes eu apenas acordo e acho que vou esbarrar contigo na fila do
pão. Ou quem sabe, te avistar de longe na estação do metrô. O teu número
continua gravado na agenda, seu email favoritado no meu inbox. E ainda assim eu
desejo o acaso. Quero te ver com as roupas cotidianas pra saber se você ainda
usa aquela camisa xadrez amassada com a manga dobrada pra esconder a mancha de
café.
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Adeus
Despedidas não ensaiadas,sem oportunidade de um abraço longo..
Um adeus inesperado,dolorido e com lágrimas salgando o sorriso.
Quantas vezes desejei estar mais perto,quantas vezes eu quis me entregar.
Tantos receios,tantos medos,tantos apegos bobos. Hoje vejo o quanto.
Fica apenas aquela sensação da última conversa corriqueira,da despedida mal feita.
Um remorso irracional misturado com uma vontade de estar junto.
Uma parcela não querendo aceitar,querendo relutar contra os fatos.
A outra quer seguir,quer relembrar apenas.
'O tempo ameniza tudo' já diziam alguns na esperança de transmitir conforto.
Mas o dificil vai ser esperar esse tempo chegar sem trazer você.
Um adeus inesperado,dolorido e com lágrimas salgando o sorriso.
Quantas vezes desejei estar mais perto,quantas vezes eu quis me entregar.
Tantos receios,tantos medos,tantos apegos bobos. Hoje vejo o quanto.
Fica apenas aquela sensação da última conversa corriqueira,da despedida mal feita.
Um remorso irracional misturado com uma vontade de estar junto.
Uma parcela não querendo aceitar,querendo relutar contra os fatos.
A outra quer seguir,quer relembrar apenas.
'O tempo ameniza tudo' já diziam alguns na esperança de transmitir conforto.
Mas o dificil vai ser esperar esse tempo chegar sem trazer você.
terça-feira, 2 de agosto de 2011
Reciprocidade
Me pego gargalhando após um sorriso teu.
Deitada em meio as folhas do chão eu procuro o teu olhar.
Fico por minutos jogada em teus braços e esquecida entre um suspiro e outro.
Amo os momentos calados que temos em que a trilha sonora está em minha mente.
Os cabelos jogados,o rosto limpo como é.
Nós dois e a nossa essência apenas.
Puramente esclarecidos na expressão do abraço interminável.
A tua presença me dá aquela sensação de certeza.
Sou tão segura quando você me envolve em teus gestos mesmo mudos!
A reciprocidade é o que nos faz e um dia me refez.
Através dela eu conheci a plenitude,o reflexo e a confiança.
Deitada em meio as folhas do chão eu procuro o teu olhar.
Fico por minutos jogada em teus braços e esquecida entre um suspiro e outro.
Amo os momentos calados que temos em que a trilha sonora está em minha mente.
Os cabelos jogados,o rosto limpo como é.
Nós dois e a nossa essência apenas.
Puramente esclarecidos na expressão do abraço interminável.
A tua presença me dá aquela sensação de certeza.
Sou tão segura quando você me envolve em teus gestos mesmo mudos!
A reciprocidade é o que nos faz e um dia me refez.
Através dela eu conheci a plenitude,o reflexo e a confiança.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Escrever é ser
Me inspiro naquilo que não vejo.
Me inspiro na música que ainda não criaram.
Me inspiro no aroma do desconhecido.
Me inspiro no que não é palpável.
Me inspiro no sabor do delírio.
Me inspiro em tudo que não necessariamente faz sentido para os meus sentidos.
Escrever é mais que técnica.
É fluência do sentir.
Escrever é transmitir,compartilhar,desprender.
Escrever é retratar,registrar,reviver.
Escrever é ser.
terça-feira, 28 de junho de 2011
Dose singela
Eu estava tão conformada antes de você aparecer.
E então de repente você surge e me inunda devagar com doses singelas de esperança até eu me afogar.
Você veio pra alimentar o que eu já tinha esquecido.
Você veio pra despertar a paixão que já estava por muito tempo adormecida.
Você me invadiu com pressa e me roubou cada olhar escondido.
Fazia tempo que meu estomâgo não ardia,aquelas famosas borboletas.
Me fez sentir não apenas frio na barriga,como também fez minhas mãos suarem.
Você me fez acreditar denovo em declarações de amor eterno e depois se deu o direito de partir.
Eu ficava sempre tão acolhida nos seus braços fortes e tão sem medos.
Não me sentia mais uma menina boba em um romance de filme açucarado.
Você me fazia mulher. Mulher que amava,que compreendia,que escutava,que esperava.
Mas quando você se foi,minhas fragilidades e minha insegurança vieram a tona novamente.
Não choro mais como tempos atrás,mas dói muito ver os sonhos espalhados no chão.
E então de repente você surge e me inunda devagar com doses singelas de esperança até eu me afogar.
Você veio pra alimentar o que eu já tinha esquecido.
Você veio pra despertar a paixão que já estava por muito tempo adormecida.
Você me invadiu com pressa e me roubou cada olhar escondido.
Fazia tempo que meu estomâgo não ardia,aquelas famosas borboletas.
Me fez sentir não apenas frio na barriga,como também fez minhas mãos suarem.
Você me fez acreditar denovo em declarações de amor eterno e depois se deu o direito de partir.
Eu ficava sempre tão acolhida nos seus braços fortes e tão sem medos.
Não me sentia mais uma menina boba em um romance de filme açucarado.
Você me fazia mulher. Mulher que amava,que compreendia,que escutava,que esperava.
Mas quando você se foi,minhas fragilidades e minha insegurança vieram a tona novamente.
Não choro mais como tempos atrás,mas dói muito ver os sonhos espalhados no chão.
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